CDL POA promove o Cenários 2026 e debate economia, política e crédito
A CDL Porto Alegre realizou, na manhã desta quarta-feira (18), o Cenários 2026, evento que reuniu especialistas em economia, política e cooperativismo para discutir os principais desafios e perspectivas que devem impactar o ambiente de negócios no próximo ano. O encontro, com patrocínio do Sicoob, ocorreu no Instituto Caldeira e integrou a agenda estratégica da Entidade voltada à análise de conjuntura e ao apoio à tomada de decisão dos empresários.
Na abertura do evento, o presidente da CDL POA, Irio Piva, destacou a consolidação do Cenários 2026 no calendário institucional da Entidade. Segundo ele, a iniciativa ganha relevância a cada edição ao antecipar tendências e promover reflexões fundamentais para o planejamento do varejo. Piva ressaltou que 2026 será um ano o próximo ano será particularmente desafiador para o comércio, marcado por fatores como o período eleitoral, o início da transição da Reforma Tributária, a realização da Copa do Mundo e a concentração de feriados ao longo do ano, circunstâncias que impactam diretamente o desempenho das vendas e a organização das empresas.
Na sequência, o economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, apresentou um panorama da economia em 2025 e as projeções para 2026, iniciando pelo cenário internacional. Frank relembrou os impactos significativos do aumento das tarifas norte-americanas ao longo de 2025, que provocaram o enfraquecimento do dólar em nível global, elevaram a volatilidade dos mercados e reduziram as expectativas de crescimento do PIB, além de pressionarem os preços das commodities. No contexto global, destacou, ainda, a desaceleração do crescimento mundial, com a China enfrentando fragilidades no setor imobiliário, os Estados Unidos impactados pelo protecionismo e pela restrição à imigração, e a Zona do Euro atravessando um ciclo de corte de juros.
No cenário nacional, Oscar Frank apresentou as projeções da Assessoria Econômica da CDL POA, que indicam que o PIB brasileiro deve encerrar 2025 com crescimento de 2,3%, enquanto a previsão para 2026 é de avanço mais moderado, de 1,76%, refletindo um ambiente econômico ainda pressionado por juros elevados, desafios fiscais e menor impulso de fatores extraordinários observados no início de 2025.
Ao tratar do balanço de riscos para 2026, o economista apontou como fatores positivos a inflação mais controlada, o início do ciclo de queda dos juros, a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a resiliência do mercado de trabalho. Entre os riscos, destacou a ausência de uma supersafra agrícola, a maior volatilidade associada ao período eleitoral, o impacto dos feriados sobre a atividade econômica e um cenário geral de incerteza. Frank também mencionou a possibilidade de ocorrência do fenômeno La Niña, que tende a provocar menos chuvas, mas que, neste caso, deve se manifestar de forma mais branda.
Na sequência da programação, o gerente de Negócios do Sicoob Central SC/RS, Dangelo Dalla Rosa, apresentou uma análise voltada ao crédito e ao cooperativismo financeiro. Ele destacou que a já sinalizada redução da taxa Selic ao longo de 2026 será um fator relevante para a retomada do crédito e para o desempenho do PIB brasileiro. Segundo dados da Febraban compartilhados no evento, a expectativa é de crescimento de 8,5% no volume de crédito. Dalla Rosa abordou, ainda, o cenário de inadimplência e de juros no crédito, apontando que, apesar do início do ciclo de queda da Selic, o endividamento e as dívidas em atraso devem permanecer elevados.
Em sua apresentação, Dalla Rosa também ressaltou as diferenças entre o Sistema Financeiro Nacional (SFN) e o cooperativismo, lembrando que o tema ainda é pouco conhecido, especialmente nas grandes capitais. Segundo ele, o cooperativismo oferece as mesmas soluções financeiras dos bancos tradicionais, porém com precificações mais baixas, já que o cliente é também sócio da cooperativa. Trata-se, conforme destacou, de uma alternativa ao sistema financeiro tradicional, com ganhos sociais ao final do processo, em vez da concentração de resultados entre acionistas.
O evento contou também com a participação do cientista político Carlos Alberto Furtado de Melo, mestre e doutor pela PUC-SP e professor sênior fellow do Insper, que expôs uma análise do cenário político para 2026. Melo enfatizou que, mais do que nomes, um bom diagnóstico é essencial para enfrentar problemas complexos, que não possuem soluções imediatas. Segundo ele, a política deve ser analisada a partir de um horizonte estratégico e de longo prazo. “O Brasil tem todos os problemas do mundo, agravados pelos seus próprios problemas”, afirmou.
Para o cientista político, o País enfrenta dois grandes desafios estruturais: o patrimonialismo e a instabilidade interna. Como exemplo, citou as emendas parlamentares, que, segundo ele, custam cerca de R$ 50 bilhões por ano aos cofres públicos e transformaram deputados em “vereadores federais”, ao garantirem bases eleitorais para reeleição. Melo também criticou incentivos e desonerações que não passam por revisões periódicas e apontou o que chamou de “fulanização da política”, marcada por disputas personalistas.
Em sua reflexão final, Carlos Melo defendeu que as empresas e a sociedade civil assumam um papel mais ativo no debate sobre o futuro do País. Segundo ele, sem um projeto nacional claro e lideranças capazes de promoverem convergência, o Brasil corre riscos no médio prazo. Embora não veja esse cenário se concretizando em 2026, alertou que ele pode se tornar realidade em 2030 caso os problemas estruturais não sejam enfrentados.
Ao final do encontro, o presidente da CDL POA, Irio Piva, convidou ao palco o presidente eleito para a próxima gestão da Entidade, Carlos Klein. O evento foi encerrado após a rodada de perguntas e respostas com os palestrantes, que esclareceram pontos abordados ao longo da programação e contribuíram para a reflexão dos participantes sobre o cenário econômico, político e setorial projetado para 2026.
Fonte: CORE Comunicação
Fotos: João Alves
