Fórum Gestão de Relações Trabalhistas da ABRH-RS debate governança do cuidado 

A Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS) promoveu o Fórum Gestão de Relações Trabalhistas nesta quarta-feira (08), no Salão de Convenções da Fiergs, em Porto Alegre. Nesta edição, que reuniu mais de 200 pessoas, as discussões – destinadas à gestores, líderes, profissionais de RH, saúde ocupacional e bem-estar – tiveram como tema “Governança do cuidado: NR-1, assédio e endividamento”.

A abertura do Fórum foi feita pelo presidente da ABRH-RS, Pedro Fagherazzi, que salientou a importância em se tratar de temas que impactam as empresas. “Os problemas do cotidiano, como endividamentos e relacionamentos são temas emergentes no mercado de trabalho, principalmente pela nova atualização da Norma Regulamentadora nº1 (NR-1). Encontrar soluções para esses problemas é fundamental para garantir o bem-estar dos profissionais“. A diretora de Relações Trabalhistas da ABRH-RS, Laira Seus, destacou que “a NR-1 é fundamental para a Governança do Cuidado, abordando aspectos como assédio e endividamento e os cuidados para entender os aspectos externos que podem impactar o levantamento dos riscos psicossociais. Quando falamos em NR-1, estamos fazendo a avaliação destes riscos, portanto, não adianta olharmos estes riscos psicossociais e falarmos individualmente com os colaboradores, a empresa precisa ter uma gestão direcionada para isso”.

A primeira palestra foi proferida pela consultora e advogada especialista nas áreas Trabalhista, Compliance e DHO, Fernanda Motta D’ávila, que falou sobre “NR-1 na Prática: da conformidade à governança do cuidado”. Fernanda destacou que “a empresa precisa estar à frente da gestão dos riscos psicossociais. Não faz sentido falarmos em saúde mental sem olharmos para os métodos praticados internamente pela empresa, como as pessoas são tratadas, como é o ambiente de trabalho“. 

Na sequência,  a psicóloga com atuação em Desenvolvimento Humano, Carreira, Liderança e Saúde Mental, Lisiane Touguinha e o advogado, negociador patronal, professor e pesquisador parlamentar do Congresso Mexicano, Renato Franco Corrêa Costa, falaram sobre “Termômetro das empresas: dados reais sobre riscos psicossociais, endividamento, liderança e práticas de governança do cuidado”. Lisiane afirmou que as maiores dificuldades na gestão dos riscos psicossociais são a falta de informação e conscientização e o preparo das lideranças. “As empresas erram ao confundir cuidado com gestão, focar no indivíduo e não no ambiente e não ter métodos e nem evidência“, enfatizou. A psicóloga ainda lembrou que a saúde mental no trabalho tem três dimensões: individual, organizacional e externo. O advogado Renato Costa lembrou que 14% dos afastamentos de trabalho no Brasil decorrem de problemas de saúde mental. “O primeiro passo é mapear a questão dos afastamentos”, orientou. Segundo Costa, a fiscalização nas empresas deverá começar pela análise dos afastamentos.

O médico especialista em dependência química, mestre e doutor em psiquiatria, Carlos Salgado, discorreu sobre o tema “Endividamento, apostas e saúde mental no trabalho“. Conforme Salgado, 40 milhões de brasileiros são apostadores. “Existe um ciclo vicioso do endividamento, que envolve desejo, realidade, decisão, endividamento, sofrimento e sempre apostar para dar a volta por cima e aí o endividamento só cresce“, explicou. “O foco do indivíduo passa a ser a penúria da dívida“, finalizou. 

O ciclo de palestras prosseguiu com a explanação do advogado, professor, negociador coletivo e assessor jurídico, Thiago Guedes, que tratou do tema “Endividamento e relações trabalhistas: riscos jurídicos e prevenção empresarial“. Guedes iniciou sua apresentação afirmando que o trabalho não adoece. “As pessoas que se endividam podem entrar em um estresse financeiro e isso pode causar os afastamentos do trabalho”, ressaltou. O advogado contou que 40% dos funcionários brasileiros têm empréstimo consignado e que quando o colaborador passa a receber o benefício previdenciário por afastamento, cessa o desconto do empréstimo consignado. “É mais fácil dizer que adoeci por causa do trabalho do que por apostas online”, disse. Segundo Guedes, existe uma doença, a Ludopatia, que caracteriza-se pelo desejo incontrolável e compulsivo por jogar. “Estamos em um momento de baixa produtiva e as empresas não conseguem contratar, pois as pessoas não estão disponíveis“, destacou.

O painel de encerramento teve a presença da supervisora da área de Saúde Ocupacional da InBetta, Daiani Cunha, e da gerente de RH do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Elizabeth Carvalho, que falaram sobre “Cases reais: empresas premiadas em programas de prevenção e saúde mental e que estão implementando avaliação de riscos psicossociais”. Daiani revelou que a principal causa de afastamentos na InBetta são os transtornos mentais e que 95% destes afastamentos não estão relacionados ao trabalho. A supervisora contou que a empresa conta com 3.200 trabalhadores e, em 2025, 588 foram atendidos pela psicóloga e pela assistente social da empresa, sendo que 65 em crise de pânico e 519 tiveram afastamentos gerenciados, ou seja, com atestados. “Atualmente trabalhamos com o modelo protetivo, que atua na redução de danos. Neste ano vamos implementar o modelo preventivo, que atuará na gestão dos fatores de rescos psicossociais”, revelou. 

Já Elizabeth Carvalho elencou fatores importantes para os indicadores de uma boa gestão. “Tudo começa com uma intenção estratégica. fortalecimento cultural, alinhamento das políticas e práticas, compromisso de todos os níveis de gestão, horas de capacitação e satisfação dos colaboradores”, salientou. Elizabeth afirmou que em 2025 cada um dos colaboradores teve 93 horas de capacitação e que 96% dos funcionários têm satisfação quanto ao ambiente de trabalho no Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac.

O Fórum se consolida como um ambiente de troca qualificada, atualização normativa e reflexão prática, reunindo especialistas, lideranças e profissionais que atuam diretamente na gestão das relações trabalhistas e na construção de ambientes mais éticos, seguros e sustentáveis. Isso o destaca como uma oportunidade para ampliar repertório, antecipar riscos e fortalecer decisões que impactam pessoas e organizações.

Fonte: Enfato Comunicação
Foto: Eduardo Rocha

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