O escritor, poeta e roteirista João Pedro Marchi lança livro de poemas no Kafka Bar & Cultura
O escritor, poeta e roteirista João Pedro Marchi apresenta seu novo livro Sálvias Vermelhas & outros poemas (Casa de Astérion, 92 páginas, R$66). Com coordenação editorial de Rafael Bassi e Diego Zanella como editor-chefe, o título será lançado no dia 15 de agosto, às 18 horas, no Kafka Bar & Cultura (Rua dos Andradas, 243 – Centro Histórico) em Porto Alegre.
Dividido em três cadernos, Sálvias Vermelhas & outros poemas constrói um percurso sensível que alterna a melancolia mais densa com a apreciação luminosa do cotidiano, fazendo da poesia um espaço de permanência diante da transitoriedade da vida. Este é um livro atravessado por muitas paisagens naturais e afetivas, onde a experiência da contemplação se inscreve muitas vezes em imagens de um frescor singular – que nos descortina morros com cor de garrafas de cerveja, pessoas que se evitam e contornam como a um cedro caído na estrada, a atenção amorosa por trás de um celular no bolso.A professora, doutora em Letras-Escrita Criativa e escritora Moema Vilela avalia que no livro de João Pedro Marchi, os sentidos muitas vezes constituem a forma mais forte de relação íntima com o mundo: -‘Pensar é estar doente dos olhos‘, diz Alberto Caeiro, e, também aqui, a descrição das paisagens naturais adota um regime em que ver já é conhecer. Contemplar é interpretar. A percepção astuta e criativa da natureza compartilha a mesma matriz sensível que estrutura a escrita do haicai, na qual o autor se destacou em publicações e experiências de pesquisa anteriores — mas, aqui, essas imagens aparecem combinadas com outros temperos, ampliando o campo sensível e imagético do livro. Em versos que se estendem, dando mais espaço para reflexões e sentimentos, a escrita acolhe emoções atrozes. Revelam-se arroubos de grande dor psíquica: o fracasso amoroso, a descrição de um esgotamento vital, uma poética do amortecimento aparente, em imaginários que por vezes dialogam com a poesia de outros momentos históricos, do romantismo ao confessionalismo. São poemas que evidenciam a falta de reconciliação do sujeito com o mundo, e expõem as fraturas dessa relação.
A estruturação em cadernos combina com essa variedade. Cadernos não se fecham em um tema, uma disciplina ou uma progressão narrativa. O que vai em um caderno é um estado de escrita. Como em um diário, ele acolhe diferentes emoções, anotações, lembretes, cenas que registram feridas antigas. Os cadernos abraçam a fragmentação, o contraditório, a precariedade do presente. Ao contrário do diário, porém, essa escrita não é cronológica nem centrada no confessional: passa por ele, mas comporta muito mais. Há convivência de poemas longos e breves, focos e estilos variados, campos provisórios de coerência. Surgem a erosão do amor, o colapso, as ternuras possíveis, o cotidiano. Em diálogo com uma lírica do esgotamento, do luto e da sobrevivência, criam espaço também para esperanças que permanecem. A ética — e a estética — que se afirma é a de continuar olhando, conclui Moema.
João Pedro Marchi
É escritor, poeta e roteirista. Nascido em Porto Alegre, é graduado em Produção Audiovisual e mestre em Escrita Criativa pela PUCRS. Publicou “Notas para um gato de rua” (Bestiário) e “Às vezes tudo o que quero é contemplar o vento” (Editora Patuá). Também possui participação em diversas antologias.
Fonte: Simone Lersch – Assessoria de Comunicação
João Pedro Marchi – Foto acervo particular
