Trancista Afro RS realiza etapas classificatórias em Pelotas e Passo Fundo

O Concurso Trancista Afro RS chega à sua terceira edição com um novo formato, ampliando sua atuação para diferentes regiões do Estado. Neste ano, Pelotas e Passo Fundo estão entre os municípios que receberão etapas classificatórias da iniciativa, que busca valorizar a arte do trançado afro, fortalecer a identidade e a ancestralidade negra e incentivar o empreendedorismo de mulheres negras e periféricas que atuam profissionalmente com estética afro.

A primeira etapa classificatória será realizada em Pelotas, no dia 17 de outubro, na Associação Casa do Hip Hop Rap Salva. Na sequência, o concurso chega a Passo Fundo, no dia 25 de outubro, na Arena Instituto Histórico. Em cada uma das cidades serão selecionadas cinco trancistas, que passarão a integrar o grupo de 20 profissionais classificadas para a etapa final, em Porto Alegre.

A grande final acontece no dia 14 de novembro, no Museu do Hip Hop, em Porto Alegre, reunindo as 20 trancistas selecionadas nas diferentes etapas do concurso.

A proposta descentralizada leva o concurso para mais perto das profissionais que atuam fora da capital, ampliando a participação e dando visibilidade a diferentes trajetórias e realidades dentro do mercado da estética negra no Rio Grande do Sul.

Mais do que um penteado, as tranças carregam uma história de resistência, identidade e pertencimento. Ao longo de gerações, os diferentes estilos de trançado estiveram associados à identificação de etnias, religiões, classes sociais e estados civis, tornando-se também uma forma de preservar conhecimentos e expressar a identidade dos povos afrodescendentes.

Trancista 2 edição – Crédito: Divulgação

É justamente essa dimensão cultural, aliada ao potencial econômico da atividade, que está no centro do Trancista Afro RS. A iniciativa busca reconhecer as profissionais que transformam esse conhecimento ancestral em trabalho e fonte de renda, contribuindo para a valorização da estética negra e para o fortalecimento da economia criativa.

Nas duas primeiras edições, mais de 200 mulheres negras e trancistas foram impactadas pelo projeto. Agora, o concurso amplia seu alcance e aposta na descentralização como forma de aproximar ainda mais as profissionais do interior do Estado.

As classificadas em Pelotas e Passo Fundo irão disputar, na etapa final, uma série de premiações destinadas não apenas ao reconhecimento de seu trabalho, mas também ao fortalecimento de seus negócios. Entre os prêmios estão produtos de beleza, tecidos étnicos africanos, uma escultura africana oriunda de Angola, consultorias nas áreas de gestão de salão de beleza, vendas e marketing digital, além de premiação em dinheiro para investimento nos próprios negócios.

A iniciativa também ganha relevância em um momento de fortalecimento da profissionalização do setor. O ofício das trancistas passou a contar com uma Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) específica, medida que reconhece a relevância econômica, social e cultural de uma atividade tradicionalmente desenvolvida por mulheres negras, especialmente nas periferias.

Para além da competição, o concurso pretende contribuir para a geração de renda, a profissionalização dos serviços de tranças, o fortalecimento das redes de apoio e a valorização da cultura e da ancestralidade africana. A terceira edição também prevê o registro das histórias das participantes por meio de um mini documentário e de um livro em coautoria com as 20 trancistas selecionadas, ampliando a memória e a difusão dos saberes relacionados ao trançado afro.

As inscrições para participar do concurso estão disponíveis na bio do Instagram @concursotrancistaafrors.

O projeto Concurso Trancista Afro RS – 3ª Edição é realizado pelo Sistema Nacional de Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e do Ministério da Cultura, com financiamento do ProCultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Fonte: AF Relações Públicas
Trancista 2 edição – Crédito: Divulgação

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