Exposição “Tudo Ainda Bruma” convida a fazer percurso imersivo entre instalações de tecido e de papel

A artista visual Isabel Marroni abre neste sábado (30/5), às 11h, no Museu de Arte do Paço, a exposição “Tudo Ainda Bruma”. Ela desenvolveu o trabalho inspirada no conto Voltar, de Itamar Vieira Junior, o autor do premiado romance “Torto Arado”. A curadoria é de Anelise Valls.

A mostra, que compreende duas instalações, constrói um percurso imersivo, no qual o visitante é conduzido por estruturas têxteis suspensas, fragmentos e transparências que operam como zonas de suspensão. Lembrar e perder tornam-se movimentos simultâneos.

A primeira instalação corresponde a um grande labirinto de tecidos que ocupa o espaço como uma arquitetura instável. As superfícies translúcidas, marcadas por manchas orgânicas e desenhos que evocam raízes, rios ou veias, produzem um percurso de deriva e desorientação. O corpo atravessa camadas frágeis que filtram luz, visão e distância, como se a memória fosse também uma matéria porosa, impossível de apreender completamente. A obra transforma o caminhar em experiência de busca: cada dobra do tecido sugere um retorno que nunca encontra exatamente o mesmo lugar.

As 40 pinturas suspensas em nanquim e aquarela acrílica sobre tecido translúcido surgiram como paisagens instáveis, imagens que nunca desejavam se fechar completamente. Suspendê-las no espaço foi uma forma de permitir que respirassem, que fossem atravessadas pela luz, pelo ar e pelo próprio corpo do visitante. Interessa-me esse lugar onde as coisas deixam de ser totalmente visíveis e passam a existir entre aparição e desaparecimento, entre permanência e dissolução”, diz Isabel, referindo-se à primeira instalação.

Um dos tecidos pintados pela artista Isabel Marroni

Ao fundo, ergue-se uma cascata vertical formada por fragmentos de papéis brancos, como um fluxo contínuo de rasgos em suspensão. Se o labirinto convoca o deslocamento horizontal do corpo, essa segunda instalação instaura uma verticalidade contemplativa, como uma coluna de névoa ou vestígio. Os fragmentos brancos acumulam uma tensão entre leveza e densidade. Embora pareçam frágeis, quase evaporando no espaço, eles se condensam em uma coluna monumental, semelhante a uma cachoeira interrompida no instante da queda. A peça cria um movimento paradoxal: ao mesmo tempo em que despenca, também parece ascender.

A chuva de papéis brancos rasgados é construída a partir de gestos repetidos de ruptura e recomposição. Nesse contexto “nasceu” Mãos de Maudigá (Divina), nome que alude à personagem principal do conto do escritor baiano, cuja narrativa trata de questões como memória, ascensão e desaparecimento.

Penso nela como um corpo de leveza, uma presença que ascende. Seus fragmentos carregam para mim a metáfora do esvaecimento, da passagem do tempo, da fragilidade da matéria e daquilo que insiste em se elevar. Existe nela uma tentativa silenciosa de olhar para cima; não necessariamente em direção a uma ideia religiosa, mas a algo maior que nós, algo que nos atravessa e nos devolve ao mistério”, medita Isabel.

Trajetória da artista
Autodidata em sua formação inicial, Isabel Marroni cursou escolas livres de arte como Atelier Livre de Porto Alegre, tendo orientações individuais com mestres como Paulo Porcella, Danúbio Gonçalves e Iberê Camargo, entre outros, nos anos 1980. Participou por oito anos do Coletivo Atelier 6, com atuação em exposições e pesquisas no Brasil e no exterior.

Por 35 anos, ela ministrou aulas de pintura. Entre 2023 e 2026, realizou as exposições individuais “A pele da paisagem” (Gravura Galeria de Arte, curadoria de Ana Zavadil) e “Luz do tempo em fluxo” e “Tempo Imerso” (Casa Musgo, com curadorias de Letícia Lau e Maria Helena Bernardes). Participou de exposições coletivas como “Reivindicações – Escrituras e Utopias do Feminismo” (Centro Cultural Correios, Rio de  Janeiro), “Ausências na História” (CCCorreios, RJ) e foi selecionada por edital para exposição individual na Galeria Loide Schwanback-Fundarte, Montenegro (RS).

Atualmente estende seus cursos em orientações coletivas de arte contemporânea com Anelise Valls, Cristiana Tejo e Marilá Dardot. Sua prática parte da pintura e se expande para técnicas de colagens, instalações e site specific.

SERVIÇO
Exposição “Tudo Ainda Bruma”
Artista: Isabel Marroni
Curadoria: Anelise Valls
Inauguração: sábado (30/5), das 11h às 13h.
Visitação: de 1º de junho a 31 de julho
Horário: das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira
Local: Museu de Arte do Paço – Praça
Montevidéu, 10 – Centro Histórico – Porto Alegre
Produção: Babilônica Arte
Realização: Coordenação de Artes Plásticas e Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
Entrada gratuita

Fonte: Assessora Comunicação Estratégica
Fotos: Divulgação da artista

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.