Aos 35 anos, CASACOR RS transforma antigo terminal do Aeroporto Salgado Filho em polo de arquitetura, arte e cultura

O antigo terminal de passageiros do Aeroporto Salgado Filho volta a ser ponto de partida para observar as transformações da arquitetura, do design e das formas de morar. Construído em 1953, fechado desde 2019 e devolvido ao público pela CASACOR Rio Grande do Sul em 2025, o edifício recebe uma nova ocupação entre 12 de agosto e 4 de outubro. No ano em que completa 35 anos, a mostra reúne 35 ambientes distribuídos por corredores, salões e espaços que preservam elementos originais do terminal, em uma edição atravessada por tendências, patrimônio, arte, tecnologia e novos modos de habitar.

Sob o tema Mente e Coração, arquitetos, designers, paisagistas e artistas partem de repertórios distintos, mas deixam aparecer questões comuns à arquitetura contemporânea. Memória e tecnologia convivem, materiais naturais encontram recursos digitais e a casa assume novas relações com recolhimento, expressão individual, trabalho, encontro e afeto. A ocupação também avança para além dos interiores e incorpora gastronomia, música, conteúdo, espaços de relacionamento e negócios.

A arquitetura continua sendo a essência da mostra, mas ela passa a dialogar de forma ainda mais intensa com a arte, a gastronomia, a música, as experiências e os encontros. Nosso objetivo é que cada visitante encontre um motivo para permanecer, voltar e criar memórias dentro da CASACOR”, afirma Karina Capaverde, diretora da CASACOR RS.

Arquitetura contemporânea ocupa um edifício histórico
Em sua segunda edição no antigo terminal, a CASACOR RS aprofunda a relação com o edifício. Se em 2025 a ocupação marcou a reabertura do prédio ao público, neste ano sua arquitetura, suas obras e sua memória entram de forma mais direta no conteúdo da mostra.

A arquiteta Aclaene de Mello integra a curadoria responsável pelo Master Plan e responde pela curadoria técnica da mostra pela sétima edição consecutiva. O projeto articula ambientes, instalações e áreas de convivência e organiza a circulação pelo terminal sem apagar as características da construção existente.

Um dos principais exemplos dessa relação está no hall. O painel de mais de 20 metros de largura, concebido por Aldo Locatelli, com participação de Emílio Sessa e Attílio Pisoni, passará por um processo de conservação realizado durante a própria CASACOR. O público poderá acompanhar o trabalho, normalmente restrito às equipes técnicas.

A intervenção será conduzida por Verônica Di Benedetti, arquiteta especializada em conservação de bens culturais. Encontros, workshops e atividades ligados à arte, à preservação e à memória cultural também integram a programação.

A obra histórica ainda dá origem a um dos ambientes da edição. Em Il Mago Del Colore, Karen Berta e Mariana Fogliato imaginam como seria o living de Aldo Locatelli se o artista vivesse atualmente. O projeto parte de cores, texturas e referências presentes em sua produção e aproxima sua trajetória de questões como origem italiana, imigração e memória.

AMBIENTE: Casa Uultis – Expressões de Vida – AUTORIA: Cristina da Luz Interiores e Design

Mente e Coração ganha diferentes interpretações nos ambientes
O tema de 2026 aparece nos projetos sem determinar uma única linguagem para a mostra. Os ambientes trabalham relações entre razão e emoção, memória e presente, tecnologia e natureza, individualidade e convivência.

Essa diversidade se traduz na arquitetura. Há projetos de linguagem mais contida e outros que assumem cor, padrões e maximalismo. Pedra, madeira e fibras naturais aparecem ao lado de recursos digitais, projeções e iluminação cênica. Mobiliário contemporâneo e design autoral convivem com obras de arte e objetos ligados à memória.

Em Universo Particular, Bruna Marcon cria um refúgio em que pedra, madeira, fogo, água e luz são usados para discutir identidade, acolhimento e a sensação de estar em casa. Ode ao Delírio Maximalista, de Gabriela Angonese Arquitetura, segue por outro caminho e assume o excesso, a sobreposição e a liberdade de composição como linguagem.

A Casa Bem Vivida Electrolux, de Karen Feldman, olha para a cozinha e para os espaços de convivência a partir das mudanças na rotina doméstica, enquanto o Dormitório da Menina, de Aclaene de Mello Arquitetura, trabalha cor e diferentes usos dentro de um quarto pensado para acompanhar o cotidiano de uma menina de 12 anos.

Materiais, cor e design atravessam a edição de 2026
A escolha dos materiais ocupa lugar importante nos projetos. Pedra e madeira aparecem com frequência, assim como fibras, superfícies texturizadas e elementos naturais. Em muitos ambientes, a iluminação participa diretamente do desenho dos espaços e da percepção dos materiais.

A cor também ganha presença. Paletas naturais continuam relevantes, mas dividem espaço com composições mais intensas, revestimentos, mobiliário e superfícies em que a cor deixa de funcionar apenas como detalhe.

Essa variedade aparece em ambientes como Casa Uultis: Expressões de Vida, que coloca o mobiliário e o design no centro da proposta; Álbum Bella Decor, que trabalha referências afetivas e composição; e Tramma Nativa, em que matéria e identidade participam da construção do projeto. A edição não aponta uma estética dominante, mas reúne linguagens que vão do essencial ao maximalista e do natural ao tecnológico.

Elenco renovado amplia o mapa da arquitetura na mostra
A edição de 2026 também se destaca por um elenco renovado, com novos nomes e profissionais vindos de diferentes cidades do Rio Grande do Sul. A diversidade de origens e repertórios amplia as leituras apresentadas nos ambientes e reforça a dimensão estadual da mostra.

Ao longo do circuito, propostas como Estar Entre Livros, Memórias que Abraçam, Lavanderia e Espaço Pet Refúgio e Casa 7200 levam para os projetos diferentes relações com permanência, afetividade, funções domésticas e convivência.

O Presente Abraça a Memória aproxima diferentes tempos dentro do projeto. Entre Linhas: O Living do Jornalista parte do universo da comunicação para construir seu espaço. ATO_26, Home Office, Átrio Spa e Ritmo Interno completam esse panorama com propostas voltadas a diferentes usos e rotinas.

Arte amplia presença e ocupa cerca de 300 m²
A arte é um dos eixos que mais cresce na CASACOR RS 2026. A área destinada a exposições e instalações passa de aproximadamente 200 metros quadrados em 2025 para cerca de 300 metros quadrados em 2026. A iniciativa ganha dimensão inédita dentro das edições da CASACOR e coloca a produção artística em posição central no circuito gaúcho.

A Galeria de Arte CASACOR, concebida por Davi dos Anjos e Luciano Mota, ocupa um espaço exclusivo de 290 metros quadrados. A exposição inédita reúne 13 artistas do Brasil, da Itália e do Japão, com pinturas, esculturas, fotografias, performances e instalações multimídia. A curadoria é de Davi dos Anjos, com consultoria de André Venzon e colaboração do crítico italiano Andrea Nikos Cristallo.

A produção artística se espalha também por outros pontos do circuito. Em Jardim De Dentro, Viviane Possa e Humberto Machado aproximam paisagismo e arte em um percurso que recebe Matéria do Tempo, instalação audiovisual do artista Nelson Azevedo construída com imagens e sons relacionados à memória e ao afeto.

Artifício – Design Week POA investiga o encontro entre arte, design e matéria. Madeira, pedra, metal, vidro, fibras e luz são combinados a resíduos das indústrias da decoração e da construção civil, trazendo o reaproveitamento para dentro do processo criativo.

A edição recebe ainda uma obra inédita do artista paranaense Lenzi, desenvolvida especialmente para a CASACOR RS a partir do tema Mente e Coração.

Tecnologia entra no circuito da arquitetura
A tecnologia aparece em diferentes escalas e assume papel central em alguns dos ambientes.

No Lounge Imersivo, Carlos Porto ocupa 120 metros quadrados com projeções em 360 graus, trilha sonora original, luz, imagem, som e movimento. O projeto transforma o ambiente em uma instalação imersiva e coloca os recursos digitais no centro da relação com o visitante.

A Cozinha do Futuro leva a discussão para dentro da casa e aborda transformações tecnológicas ligadas a um dos ambientes que mais mudaram de função ao longo das últimas décadas. Em outros projetos, tecnologia e automação aparecem incorporadas à iluminação, aos equipamentos e às soluções de uso.

Exposição inédita percorre os 35 anos da CASACOR RS
A história da própria mostra ganha espaço em 35 Anos em Movimento, instalação concebida pela equipe da CASACOR Rio Grande do Sul em parceria com Daniela Corso, do IF Pro.

Fotografias, anuários, documentos e objetos históricos formam uma linha do tempo que acompanha a CASACOR RS desde 1993 e permite observar, em paralelo, mudanças na arquitetura de interiores, no design e nas formas de morar.

Ao longo desse período, mudaram as cozinhas, os quartos, os banheiros, as salas e os espaços de trabalho. Novos materiais e tecnologias foram incorporados aos projetos, enquanto transformações sociais alteraram a maneira de receber, trabalhar, descansar e conviver dentro de casa. O acervo funciona, assim, como registro das mudanças do morar no Rio Grande do Sul ao longo de mais de três décadas.

Gastronomia, música e convivência ocupam o antigo saguão
Uma das principais mudanças na ocupação do terminal acontece no antigo saguão, que passa a reunir restaurante, café, gelateria e bar de jazz e piano com música ao vivo.

Os projetos recuperam referências da história do Aeroporto Salgado Filho e dos tempos áureos da aviação no Sul do Brasil, incorporando elementos originais do edifício, materiais de época e formas inspiradas nas aeronaves.

O bar tem arquitetura assinada por Valéria Dotto. O restaurante será operado pelo Mule Bule, enquanto a Crëam assume a gelateria com sabores inspirados na memória afetiva e na culinária gaúcha. O Café Fibraplac completa a área gastronômica.

Para as crianças, a brinquedoteca é organizada como uma minicidade, com oficina, supermercado, café e palco em escala infantil. O projeto foi pensado para estimular imaginação, autonomia e interação sem o uso de telas.

AMBIENTE: Casa 7200 – RESPONSÁVEL: HVM Arquitetura

Arena, coworking, moda e conteúdo ampliam a programação
Os ambientes comerciais, de conteúdo e de relacionamento ampliam as possibilidades de uso do terminal ao longo do dia.

A Arena CASACOR recebe podcasts, entrevistas, palestras, debates e transmissões ao vivo. Coworking, arena corporativa, Casa de Experiência e áreas de serviços e relacionamento completam essa frente de conteúdo e negócios.

A LabStore aproxima arquitetura, design, moda, arte e comportamento, enquanto uma loja multimarcas com curadoria da Mint integra a ocupação comercial. Gelateria, Café Fibraplac, Coworking Só Escritório e Saguão Viagem Gastronômica reforçam um circuito que ultrapassa a visita aos interiores residenciais.

Durante quase dois meses, um edifício que passou anos fechado volta a integrar a rotina da cidade. Desta vez, não apenas como cenário da CASACOR Rio Grande do Sul, mas como parte do que a edição de 2026 se propõe a discutir: o que preservar, o que transformar e quais caminhos a arquitetura começa a desenhar para os próximos anos.

CASACOR RIO GRANDE DO SUL 2026
Período: 12 de agosto a 4 de outubro de 2026
Local: Antigo Terminal do Aeroporto Salgado Filho
Endereço: Avenida dos Estados, 747 — Porto Alegre/RS
Horários: terça a sexta, das 14h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 21h.
Ingressos: appcasacor.com.br/events/rio-grande-do-sul

Fonte: Xarão, Carol Moura e Rogério Potter
Assessoria de Imprensa | CASACOR Rio Grande do Sul 2026

Foto/destaque: Quarto de menina – Arquiteta Aclaene de Mello

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