Educação patrimonial vira política pública e rende prêmio estadual a Santa Tereza

Em Santa Tereza, uma das menores joias da Serra Gaúcha, o passado não repousa — ele circula pelos corredores da escola pública, entra na sala de aula com cheiro de madeira antiga e sotaque de nonnos e, agora, acaba de ser reconhecido pelo Prêmio CAU/RS 2025 (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul), na categoria Setor Público.

A iniciativa premiada é simples e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora: a Prefeitura instituiu a Educação Patrimonial como disciplina permanente do currículo, do 1º ao 5º ano. Uma política pública rara no país, ainda mais num município tombado pelo IPHAN, onde o casario da imigração italiana é mais do que cenário — é identidade.

Desde 2024, todas as terças-feiras pela manhã, as crianças de Santa Tereza dedicam parte da aula a observar aquilo que sempre esteve ali: as casas, as praças, os monumentos, as paisagens culturais. Aprendem sobre o que é material — telhados, fachadas, monumentos — e sobre o que não se toca, mas se sente: as festas da comunidade, as receitas, os sotaques, as memórias e as histórias contadas pelas famílias.

A lição é clara: patrimônio não é museu. É vida. É gesto. É convivência. E, nesse processo, alunos que antes apenas circulavam pelas ruas agora caminham com outros olhos — olhos de quem pertence, de quem reconhece valor, de quem entende que preservar não é obrigação distante, mas cuidado cotidiano.

A arquiteta que virou professora — e a professora que virou ponte
As aulas são conduzidas pela arquiteta e restauradora Patrícia Pasini, estudiosa da memória da imigração italiana e alguém que enxerga, no encontro entre técnica e afeto, uma oportunidade de formação cidadã. Ela traduz o que sabe em linguagem de criança. Mostra o reboco antigo, explica a função do porão, conta como uma casa respira. Leva as turmas para as ruas, para que sintam com as mãos o que aprenderam na lousa. “Cada aula é um gesto de continuidade“, diz Patrícia. “Um modo de plantar, no coração dessas crianças, a semente do cuidado, do respeito e do amor pelo lugar onde vivem.”

Com o tempo, a disciplina deixou de ser apenas disciplina: virou conversa de família, tema de roda de chimarrão, orgulho local. As crianças levam para casa maquetes, mapas, histórias que ouviram dos avós. Pais e avós, por sua vez, reencontram na escola parte de sua própria biografia. Assim, a política pública ganha uma dimensão que números não captam: ela reconecta gerações.

Fonte: Tati Feldens – Assessoria de Imprensa
Premio Cau – Prof Patricia Pasini – Divulgação

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