Empreendedorismo feminino avança, mas liderança ainda é desafio global
Apesar dos avanços das últimas décadas, a presença feminina em posições de liderança ainda está longe da paridade global. No mundo corporativo, as mulheres ocupam 34% dos cargos de gestão sênior, segundo o relatório Women in Business 2025, da Grant Thornton. O estudo aponta que, mantido o ritmo atual, a igualdade entre homens e mulheres nesses cargos só deve ser alcançada por volta de 2051, o que significa que uma geração inteira ainda pode levar décadas para trabalhar em ambientes corporativos realmente equilibrados.
No Brasil, entretanto, o empreendedorismo feminino tem ganhado força e se consolidado como uma alternativa de autonomia financeira e protagonismo profissional. A pesquisa “Mulheres Empreendedoras e seus Negócios 2025” mostra que 58,3% das empreendedoras brasileiras são chefes de seus domicílios e 69,4% sustentam outras pessoas com sua renda, revelando o impacto direto dessas mulheres na economia e na estrutura familiar.
Em setores criativos como a moda, histórias de empresárias e estilistas ilustram como a liderança feminina vem impulsionando inovação, novos modelos de negócio e relações mais próximas com o consumidor.
Inteligência estratégica para a indústria da moda
Com mais de 30 anos de experiência no setor têxtil, a empresária Symone Rech transformou sua vivência no mercado em um negócio voltado à inteligência estratégica para marcas de moda. Ela é fundadora da New & Now, uma plataforma que conecta pesquisas internacionais de tendências ao desenvolvimento de coleções comerciais para empresas brasileiras.
A ideia surgiu durante a pandemia, quando viagens e pesquisas presenciais estavam suspensas, mas o mercado seguia demandando informações atualizadas sobre o comportamento do varejo global.
“Enxerguei uma possibilidade de entregar a solução para a dor que eu tinha quando estava à frente de uma confecção: não ter tempo para pesquisar profundamente o que é tendência e o que realmente é rentável para o mercado de moda“, afirma a empresária.
A plataforma reúne análises de passarelas internacionais, pesquisas em grandes capitais da moda e conteúdos voltados à indústria e ao varejo. Em 2025, o projeto deu mais um passo em direção à inovação com o lançamento da SY.A, uma inteligência artificial criativa voltada ao desenvolvimento de produtos.
Moda autoral e proximidade com clientes
Na Serra Gaúcha, a estilista Camila Paludo construiu uma trajetória baseada na moda autoral e na relação próxima com as clientes. Fundadora do Camila Paludo Atelier, ela atua no segmento de vestidos de noiva e festa desde 2017, com atendimento concentrado em Garibaldi, mas com clientes em diferentes regiões do país e até no exterior.
Ao contrário de muitas marcas que terceirizam parte da produção, Camila mantém participação direta em todas as etapas do processo, da modelagem ao bordado — um diferencial em um mercado cada vez mais industrializado.
“A noiva tem uma carga afetiva muito forte. Eu me torno muito próxima delas, e acho que esse é um grande diferencial do meu trabalho. Podemos buscar referências, mas não trabalhamos com cópia. Quero construir uma marca com identidade própria“, destaca Camila.
Além do atendimento personalizado, o atelier prepara novos projetos para os próximos anos, incluindo o lançamento de linhas exclusivas e o fortalecimento da marca no segmento de alta costura.
Inovação e propósito na indústria da moda
Na moda fitness e casual, a presença feminina também tem ganhado protagonismo. Um exemplo é a empresária Marines Winter Luft, CEO da marca gaúcha Rala Bela, fundada em 1992 e hoje uma das principais marcas de moda fitness e casual do país.
A empresa confecciona peças com tecidos tecnológicos e investe constantemente em inovação no processo produtivo. Entre as iniciativas está a implementação da tecnologia RFID para controle logístico e, mais recentemente, o uso de etiquetas NFC, que permitem às consumidoras acessar informações sobre os produtos diretamente pelo celular.
“Nossa proposta sempre foi compreender a mulher em movimento. Ela não quer escolher entre conforto ou elegância — ela quer as duas coisas“, afirma.
Além da inovação tecnológica, a empresa também investe em iniciativas sociais voltadas à capacitação de mulheres na costura e ao incentivo a hábitos mais saudáveis entre colaboradoras e clientes.
Embora os dados globais indiquem que a igualdade de gênero em cargos de liderança ainda está distante, trajetórias como as de Symone, Camila e Marines mostram que o empreendedorismo feminino segue avançando e ganhando relevância em diferentes segmentos.
No universo da moda, onde criatividade, estratégia e inovação caminham juntas, essas lideranças ajudam a redesenhar o mercado e ampliam o espaço para que mais mulheres ocupem posições de protagonismo na economia.
Fonte: Imersão Agência
Marines Winter, Camila Paludo, Symone Rech – Divulgação
