Galeria a céu aberto no Quarto Distrito entra em nova fase com mural e oficina para jovens mulheres

Uma galeria de arte urbana instalada nas ruas do bairro Navegantes, em Porto Alegre, busca relacionar memória, reconstrução e pertencimento em uma das regiões mais afetadas pelas enchentes de maio de 2024. Viabilizado pela Lei Rouanet, o projeto Horizontes Urbanos, do Instituto Caldeira, reúne quatro murais já abertos à visitação nos arredores do hub.

O percurso é gratuito, não exige agendamento e pode ser acessado por moradores e visitantes. Cada obra conta com uma placa que oferece um QR Code direcionado a conteúdo em Libras e audiodescrição. A proposta é levar recursos de acessibilidade para uma exposição que, por estar instalada na rua, não depende dos horários ou das estruturas de um espaço cultural convencional.

A transformação urbana não acontece apenas com obras de infraestrutura. Ela também passa pela arte, pela cultura e pela ocupação dos espaços públicos“, diz Pedro Valério, Diretor Executivo do Instituto Caldeira. “Depois das enchentes, queremos contribuir para recuperar a autoestima do Quarto Distrito e fortalecer a visão de um distrito do amanhã, onde inovação, criatividade e qualidade de vida caminham juntas.”

Os murais foram produzidos entre 2025 e 2026 pelos artistas Speto, Xadalu Tupã Jekupé, Pamela Zorn e Mabel Vicentef. As obras abordam temas como reconstrução coletiva, memória industrial, arquivos familiares afetados pelas enchentes e o equilíbrio entre desenvolvimento urbano e natureza.

Arte urbana como registro do território
Em “Reviver”, Speto representa uma jovem montada no cavalo Caramelo, animal que se tornou um dos símbolos dos resgates durante a enchente de 2024. A obra relaciona a reconstrução à empatia e à capacidade de organização coletiva.

No mural “O fogo nos reuniu outra vez”, Xadalu Tupã Jekupé parte da história do antigo complexo industrial A. J. Renner para discutir as diferentes camadas do território. O fogo aparece como referência às caldeiras que marcaram a atividade fabril da região e como elemento político, comunitário e simbólico.

Pamela Zorn utiliza fotografias de famílias negras e mestiças do Rio Grande do Sul em “Silêncios de Aniversário”. O mural recupera imagens de celebrações domésticas das décadas de 1990 e 2000 e estabelece um contraponto à perda de fotografias e objetos pessoais provocada pelas enchentes no bairro Navegantes.

Já “Em busca do equilíbrio”, da muralista argentina Mabel Vicentef, mostra duas crianças diante de uma balança. De um lado estão construções, máquinas e elementos industriais; do outro, árvores, água e paisagens naturais. A cena propõe uma reflexão sobre as escolhas coletivas envolvidas no desenvolvimento das cidades.

Nova obra será produzida com participação de jovens
Entre 20 de agosto e 1º de setembro, a primeira parte do projeto Horizontes Urbanos entra em sua última etapa com a produção de “Passiflora”, mural da artista Brenda Klein. A composição utiliza a flor e os ramos do maracujá para tratar de vínculos com a terra, infância, alimento e território. O projeto visual também prevê a incorporação de peças de cerâmica à pintura.

A produção será acompanhada por uma oficina gratuita destinada a 20 jovens mulheres, preferencialmente estudantes de escolas públicas e moradoras da região. Em dois encontros, previstos para 22 e 29 de agosto, as participantes terão contato com história da arte urbana, muralismo, graffiti, estêncil, lettering, processos criativos e referências de artistas mulheres.

O projeto Horizontes Urbanos é viabilizado pela Lei Rouanet, com patrocínio de Agibank, Sulgás e Aplicap, e apoio de Tecnova, Topázio e Embasul.

Fonte: Dialetto


 


 

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