Livro narra história pouca conhecida de artista gaúcha pioneira da tecelagem brasileira
A tecelagem é uma das linguagens artísticas que demorou para receber reconhecimento no mundo das artes. A artista e tecelã gaúcha Liciê Hunsche (1924-2017), em suas mais de quatro décadas de produção, foi uma das artistas que trabalhou intensamente para mostrar ao Brasil e ao mundo que as artes têxteis eram importantes. Em novembro, a vida e obra da artista, expoente de sua geração, será pela primeira vez contada em um livro dedicado à sua história.
O livro Meadas do Tempo: vida e obra de Liciê Hunsche, organizado pela historiadora da arte e curadora Carolina Bouvie Grippa e pela arquiteta e neta da artista Julia Hunsche Weinschenck, mostra a trajetória a vida de Hunsche, a partir de textos sobre sua biografia, imagens de sua produção, fotos de arquivo e depoimentos. O lançamento acontece no dia 7 de novembro, sábado, às 10h30, no Mezanino da Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos Andradas, 736). O evento tem entrada livre e conta com a distribuição gratuita e limitada do livro. A publicação é financiada pela Lei Rouanet, com patrocínio da Companhia Siderúrgica Nacional, realização Ministério da Cultura, e estará disponível online depois do lançamento presencial.
Fruto de mais de uma década de pesquisa das organizadoras, tanto no arquivo documental, como na obra da artista, o livro conta a história de uma mulher que abriu caminho também para outras tecelãs e artesãs. Destaque nacional dos anos 70 a 90, Liciê desenvolveu um estilo único, com tingimentos naturais e efeitos ópticos que caracterizavam seu trabalho. Entre memórias e depoimentos, a obra conta desde o início de sua formação com a artista Zoravia Bettiol, passa pelas grandes exposições que participou, até a consolidação de sua poética própria.

Com a força das artistas mulheres, o interior da obra também traz textos escritos integralmente por pesquisadoras das artes, entre elas Joana Bosak, Luísa Kiefer, Taís Cardoso, além da própria organizadora Carolina Grippa.
Em um mergulho na casa-ateliê de Liciê, na Zona Sul de Porto Alegre, criado em 1980, e em sua relação com o rebanho próprio de ovelhas Karakul para produção de lã, o livro retrata a vida da artista do início ao fim. “Liciê trabalhou muito pela valorização da lã, do artesanal, a partir de um rigor e uma dedicação, que conseguiu transmitir para outras pessoas”, explica Grippa, pesquisadora e curadora especializada nas artes têxteis.
A obra é como um livro-testemunho, reunindo depoimentos de amigos e artistas que conheceram a artista. Em uma abordagem visual e textual, o livro mostra também seu êxito em bienais de arte e em mais de 50 exposições ao longo da vida.
Mais do que artista envolvida em sua produção, Liciê deixou um legado ao artesanato gaúcho, como a criação do Centro Gaúcho da Tapeçaria Contemporânea (CGTC), uma organização que tinha como intuito reunir artistas e artesãs do têxtil. “Ela dedicou a vida à arte, de uma forma sensível, e merece ser colocada na linha do tempo“, reforça a neta Julia Hunsche.
Como quem visita uma exposição, o livro contempla também fotografias de Fábio Del Re, fotógrafo gaúcho e também sobrinho da artista, além de imagens da fotógrafa Letícia Remião, que registrou os últimos momentos da vida de Liciê. Os fotógrafos Marco Antonio Filho, Thiéle Elissa e Gustavo Balbela também assinam as imagens. Em uma mistura de biografia e produção artística, a obra mostra diferentes aspectos da vida de artista, desde o cultivo das orquídeas, à lida com lã, ao interesse pelo processo orgânico de produção artística, à relação com a sua casa-ateliê, até suas obras, em uma grande diversidade de formatos — tapetes, ponchos, tecelagens e outros formatos.
Defensora do manual e artesanal, a obra Meadas do Tempo mostra a história de uma artista relevante para história, que articula a natureza e a sensibilidade, assim como o território de onde vinha, refletindo uma trajetória de uma mulher artista que ainda tem muito o que contar através de seu legado.
SERVIÇO
Lançamento do livro Meadas do Tempo: vida e obra de Liciê Hunsche
7 de novembro, sábado, às 10h30
Casa de Cultura Mário Quintana | Mezanino | Rua dos Andradas, 736
Entrada gratuita e distribuição do livro
Acompanhe o projeto no Instagram Tapeçaria na Arte e no Ateliê Liciê Hunsche
Fonte: Assessoria de imprensa: Anna Ortega
A artista ficou conhecida pelo processo artesanal e pioneiro com ovelhas Karakul no Rio Grande do Sul.
Foto: Fábio Del Re/Meadas do Tempo/Divulgação
