Natureza, técnica e legado marcam os primeiros dias da Semana de Alta-Costura em Paris
Paris voltou a ser o epicentro da moda mundial. Entre os dias 26 e 29 de janeiro, a capital francesa recebeu a Semana de Alta-Costura Primavera-Verão 2026, reunindo as mais importantes maisons do mundo.
Para traduzir o que aconteceu nas passarelas parisienses, Camila Paludo, estilista e fundadora do Camila Paludo Atelier, acompanhou de perto cada apresentação. Especialista em vestidos de noiva e festas, ela traz um olhar técnico apurado sobre as criações.
Dior e a natureza como presença viva
O desfile da Dior foi um dos primeiros a abrir a temporada. “Na Dior, a natureza não apareceu como referência literal, mas como presença real. Havia algo orgânico na cor, nas texturas, nas superfícies que pareciam respirar. A silhueta trouxe uma estrutura muito presente na modelagem, mas sempre suavizada por flores, aplicações e detalhes que pareciam brotar da própria peça, como hortênsias e elementos florais que criavam acessórios quase vivos, como se o vestido continuasse crescendo no corpo. É um feminino delicado, mas não frágil, um feminino que floresce com força silenciosa“, afirmou Camila Paludo.
Schiaparelli entre a técnica e a arte
A Schiaparelli manteve sua trajetória de surpreender. “Schiaparelli seguiu no território da minúcia extrema e da alta-costura como espetáculo técnico. Cada look parecia um estudo de construção, onde a técnica não é escondida, ela é exaltada. É uma moda que tensiona o limite entre o vestir e o objeto de arte, usando o corpo como palco para essa narrativa quase surreal”, analisou a estilista.
Chanel e a modernidade da tradição
A Chanel equilibrou a tradição e a modernidade. “Chanel apresentou uma ambientação lindíssima, com uma atmosfera leve e quase etérea. As penas, os volumes e a fluidez trouxeram movimento às formas clássicas da maison, enquanto transparências delicadas criaram a sensação de que as roupas quase desapareciam no corpo. A bolsa, ícone absoluto, surgiu integrada ao look com naturalidade, como extensão da própria silhueta. A noiva, em comprimento midi, foi um dos momentos mais fortes: moderna, elegante e profundamente conectada ao espírito de Coco Chanel. Uma noiva que não grita tradição, mas sussurra liberdade“, comentou Camila Paludo.
Armani Privé e o último tributo ao mestre
Este desfile carregou um significado especial, sendo o primeiro sem a presença física de Giorgio Armani. “Esse desfile de Armani Privé foi especialmente emocionante por ser o primeiro sem a presença de Giorgio Armani. Ainda assim, sua essência estava viva em cada detalhe, com alfaiataria leve, tecidos fluidos, cartela suave entre preto, branco, rosés delicados e o verde jade como ponto de luz, além de bordados minuciosos e brilhos sutis que apenas refletem a luz que a mulher já carrega.
O momento mais simbólico foi o vestido de noiva, apresentado como um tributo a Giorgio Armani e reconhecido como o último vestido assinado por ele. Mais do que uma peça final, foi um gesto de legado, marcando a continuidade de uma visão de elegância, delicadeza e respeito profundo à mulher”, relatou Camila Paludo. Entre todas as apresentações, ela revelou sua preferência. “Até o momento o meu preferido foi Armani”, disse.
Elie Saab e Zuhair Murad no universo do glamour
Elie Saab trouxe o glamour característico. “Elie Saab veio com uma energia bem dourada e luminosa, cheio de brilho e glamour. Os vestidos tinham muita leveza e movimento, mesmo com bordados intensos, e as franjas em pedraria criavam uma textura viva que acompanhava o caminhar das modelos. Também apareceram detalhes que lembravam penas e pétalas bordadas, integrados ao tecido como se estivessem nascendo dele. Foi uma coleção focada em textura, fluidez e opulência, com aquela feminilidade forte e etérea que é marca registrada do Saab”, observou Camila.
Sofisticação delicada de George Hobeika
Para a Semana de Moda, a marca libanesa apresentou um desfile muito focado na sofisticação feminina bem delicada, quase lúdica, como aponta a estilista. “Tinha um ar etéreo. Muitas camadas de tule, criando movimento e leveza, como se os vestidos estivessem flutuando. O bordado manual apareceu com muita força, mas de um jeito sutil, trazendo textura, brilho e profundidade sem tirar a leveza das peças. Tudo muito bem pensado, nada pesado”, diz.
Ao mesmo tempo, as estruturas foram destaques em muitas peças, principalmente em tecidos mais acetinados e encorpados, que davam sustentação pras silhuetas.
Noiva e Festa com um olhar sobre Paris
Localizado em Garibaldi, na Serra Gaúcha, o atelier de Camila atende sob medida, Prêt-à-porter e Noiva e Festa. Com vestidos que contam histórias, Camila mantém participação ativa em todas as etapas da produção, costurando, modelando e bordando suas próprias peças.
SERVIÇO
Camila Paludo Atelier
Rua Júlio de Castilhos, 111, Centro, Garibaldi, RS
Site: www.camilapaludoatelier.com.br
Instagram: @camilapaludoatelier
Fonte: Imersão Agência
Camila Paludo – Camila Paludo Atelier
