Projeto Gaúchos em Cena homenageia Carlota Albuquerque e lança biografia da coreógrafa e diretora
O Epílogo do 32º Porto Alegre em Cena propõe mais que uma homenagem. É um verdadeiro resgate a afetividade: na arte, na vida, para todos. Carlota Albuquerque é um dos mais respeitados e relevantes nomes da dança contemporânea brasileira. E a retomada do projeto Gaúchos em Cena, marca o lançamento da biografia da coreógrafa e diretora, no dia 29 de abril, no Teatro Oficina Olga Reverbel, às 19h. A data não poderia ser mais apropriada: no Dia Internacional da Dança.
“Jamais imaginei ter minha trajetória sendo homenageada assim, de forma tão especial, no Porto Alegre em Cena. Quando recebi o convite da minha querida Letícia Vieira, paralisei, de verdade! Era como se o tempo tivesse dado uma pausa. Ela me olhava e eu disse “preciso pensar”, mas não era sobre aceitar ou negar, eu precisava entender este vulcão de emoção que estava ali para explodir! Que presente, que felicidade para uma artista estar em cena num livro! Isto é pra sempre”, emociona-se Carlota Albuquerque.
A escrita desta edição de Gaúchos em Cena foi realizada pela pesquisadora, teórica do teatro e filha de Carlota, Joana de Albuquerque e pela atriz e gestora cultural Gabriela Munhoz, que se debruçaram sobre esta escrita em um gesto de escuta, reflexão e partilha. “Estar ao lado de Joana nessa travessia foi lindo, Joana é muito Carlota – mesma energia, sensibilidade, risada solta. Nos demos as mãos como irmãs, e não acho surpreendente isso uma vez que me sinto também (um pouco e muito) filha de Carlota. Enfim, foi uma experiência de puro amor, que é o que essa mulher exala e pulsa, sobretudo no seu ofício, no seu talento. É indissociável o afeto da sua dança”, emociona-se Gabriela Munhoz.

Empreitada árdua de uma filha que também é fã e viveu muito grande parte da trajetória descrita na obra. “Falar sobre a Carlota (ela é minha mãe) e falar dela como mãe, como artista, como uma representante tão forte da cena no Rio Grande do Sul é uma tarefa que foi quase impossível. Tive muita sorte de compartilhar isso com a Gabriela Munhoz, trocamos muito, porque a mãe dela que apresentou a Carlota pra Gabriela. Então a gente tem uma relação muito forte com esse laço da maternidade e com essa visão de quem nos colocou no mundo através da arte e de quem colocou a arte na nossa vida através do maternar. Escrever essas memórias, e muitas delas foram compartilhadas comigo, e tentar trazer um olhar de pesquisadora, de investigadora da cena, foi muito difícil”, detalha Joana de Albuquerque.
Um dos primeiros passos foi assumir que o que estavam realizando passaria longe de algo neutro e impessoal. “Esse nosso olhar e amor pela Carlota, ele precisava aparecer como alguém que vê a história das artes cênicas no Rio Grande do Sul de uma forma muito privilegiada. Nós tivemos muita sorte de acompanhar essa artista gigante gaúcha através de um lugar muito afetivo”, revela Joana.
O texto propõe não apenas um registro biográfico, mas um exercício de memória viva, que reconhece a artista em sua dimensão criadora, formadora e transformadora, reafirmando a importância de narrar e preservar histórias que constituem o presente e o futuro das artes cênicas. Extremamente afetiva, a biografia traduz o fazer cênico de Carlota, que é movida pelo sentimento. O título do livro, Carlota Albuquerque O Coletivo ou Nada, transmite a forte vocação coletiva de Carlota. “E não só em um sentido de grupo, ela sempre fez parte de coletivos, sempre lutou pela existência e pela resistência dos grupos no Rio Grande do Sul e acabou se tornando uma referência nisso no Brasil inteiro“, orgulha-se a filha Joana.
Na retomada do projeto Gaúchos em Cena, que estava paralisado desde 2018, iniciativa do Porto Alegre em Cena, se reafirma o compromisso histórico do festival com a salvaguarda da memória artística do Rio Grande do Sul. A cada edição, o projeto dedica-se à elaboração de uma biografia sensível de um artista do Sul do país, reconhecendo trajetórias fundamentais para a constituição das artes cênicas e contribuindo para a visibilidade, o reconhecimento público e a preservação de seus legados estéticos, pedagógicos e políticos.
“Escrever sobre Carlota, ao lado de sua filha Joana, foi dos convites mais lindos que já recebi na minha vida. O processo de escrita envolveu e misturou um monte de sentimentos. Foi numa mesma medida profundo, cheio de risadas e choros, alguma ansiedade, e uma admiração por essa mulher que só aumentou a cada história que ouvimos, a cada relato apaixonado das pessoas que cruzaram e cruzam seu caminho. Carlota é um fenômeno afetivo, artístico, é um furacão, uma bruxa-criança virada em coração”, define Gabriela Munhoz.
Agraciada por prêmios como Ordem do Mérito Cultural e, recentemente, Mestres e Mestres das Artes, promovido pela Funarte, Carlota é fundadora do Terpsí Teatro de Dança, e construiu, ao longo de décadas, uma obra marcada pela pesquisa do corpo como campo poético, político e sensível, atravessando linguagens, dialogando com o teatro, a música e as artes visuais, e formando gerações de artistas. Sua trajetória é reconhecida pela criatividade, ética e estética, pela consistência de sua pesquisa continuada e por sua contribuição decisiva para a consolidação da dança contemporânea no Rio Grande do Sul e no Brasil.
JOANA ALBUQUERQUE
Mestra em Artes Cênicas pela USP e graduada em Teatro pela Université Sorbonne Nouvelle (França). Pesquisadora em cenografia e escritas afetivas no âmbito da Educação. Professora de Francês com foco em andragogia e técnicas teatrais voltadas ao ensino de línguas estrangeiras.
GABRIELA MUNHOZ
Atriz e gestora cultural com mais de duas décadas dedicadas à arte e à cultura. Sua trajetória une atuação cênica, liderança e desenvolvimento de projetos culturais no setor público e privado, com forte atuação em políticas culturais, curadoria artística e gestão de equipes. Esteve colaboradora da Secretaria de Estado da Cultura do RS de 2021 a 2025, tendo dirigido o IEACEN – Instituto Estadual de Artes Cênicas, o Teatro de Arena de POA, e a Fundação Teatro São Pedro. Mestranda em Artes Cênicas pela UFRGS, pós-graduada em Filosofia pela PUC e formada em Artes Dramáticas pela UniverCidade do RJ, em janeiro deste ano Gabriela assumiu o desafio de participar da criação do Banrisul Instituto Cultural e Social, como Diretora de Programas e Projetos Culturais, onde está atuando neste momento.
RESIDE ALEGRE – NO BAIRRO CIDADE BAIXA
Completa ainda a programação do Epílogo do 32º Porto Alegre em Cena a segunda edição do Reside Alegre, dessa vez no bairro Cidade Baixa, previsto para ter início no mês de maio. Uma das grandes novidades na programação da 32ª edição, o Reside Alegre, entrará em fase de residência artística. Após narrar e dramatizar histórias reais de moradores do bairro Centro Histórico é chegada a hora do bairro Cidade Baixa viver toda essa emoção. Monina Bonelli (diretora e coordenadora), Paula de Renor (curadora e coordenadora), Celso Curi (curador e diretor) e Wesley Kawaai (coordenador) estarão em mediações e conversas com os moradores e vizinhos do bairro, além de iniciar a residência com os artistas locais para as ações da próxima edição do Festival. Dessa vez com a ajuda preciosa da diretora e iluminadora Nara Maia, vizinha embaixadora, que será a articuladora da ação em conjunto com a diretora e produtora Sandra Possani.
EQUIPE DA 32ª EDIÇÃO DO PORTO ALEGRE EM CENA – O EPÍLOGO
Coordenação Geral – Luciano Alabarse
Direção Geral – Cláudia D’Mutti e Letícia Vieira
Coordenação Técnica – João Fraga e Maurício Moura
Formação de Plateia – Luciana Leão
Criadores do Projeto Reside Alegre
Celso Curi, Monina Bonelli, Paula de Renor e Wesley Kawaai
Vizinha Embaixadora do Projeto Reside Alegre – Nara Maia
Produção Artística Reside Alegre – Sandra Possani
Identidade Visual, Design Gráfico e Site – Ozio Design
Assessoria de Imprensa – Agência Cigana / Cátia Tedesco, Mariana Moraes e Mauren Favero
Redes Sociais – Dani Hil / Trevo.cc
Produção Administrativa – Franciele Ângelo Vitória e Martha Oberst
Coordenação de Acessibilidade / Libras Ângela Russo / Para Todos Acessibilidade
Gestão de Financiamento – Primeira Fila Produções e Voz Cultural
Gestão Cultural – ra Fila Produções
Patrocínio do Epílogo – Itaú
Realização
Prefeitura Municipal de Porto Alegre e Ministério da Cultura, Governo do Brasil – Ao Lado do Povo Brasileiro.
Fonte: Agência Cigana
Crédito: Clara Albuquerque
