Projeto transforma materiais descartados em oportunidade de renda para 28 mulheres de Porto Alegre

A Associação Instituto ECOA, por meio do projeto Ateliê de Costura Artesanal – Florescer Rede, capacitou 28 mulheres de duas comunidades de Porto Alegre em técnicas de costura e reaproveitamento de materiais que seriam descartados. A iniciativa, voltada à geração de renda, sustentabilidade e fortalecimento da autonomia feminina, foi concluída com uma cerimônia de formatura realizada no dia 13 de outubro, quando as participantes receberam seus certificados.

Sacos de ração vazios, tecidos de guarda-chuvas danificados e calças jeans em desuso ganharam uma nova utilidade durante as oficinas. A partir desses materiais, as participantes aprenderam técnicas para confeccionar produtos como ecobags, bolsas e caminhas para animais de estimação, com potencial de comercialização e geração de renda. Voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade social, a capacitação busca estimular a autonomia financeira e a autoestima, oferecendo conhecimentos que possam ser transformados em uma atividade produtiva.

O projeto reuniu 15 mulheres da Associação Jardim Bento Gonçalves e 13 moradoras da comunidade do Lami. Entre maio e outubro, as participantes tiveram encontros semanais para aprender técnicas básicas de costura, manuseio de máquinas e aproveitamento de materiais que normalmente seriam descartados.

Além da capacitação profissional, o projeto tem como um de seus principais objetivos reduzir o descarte de resíduos e estimular práticas de consumo mais sustentáveis. Materiais como tecidos de guarda-chuvas e guarda-sóis danificados, embalagens de ração e calças jeans usadas, que poderiam acabar em aterros sanitários ou ser descartados irregularmente em ruas e bueiros, ganham uma nova finalidade por meio da costura artesanal.

Somente em 2025, o projeto reaproveitou 1.732 itens, entre eles 1.554 tecidos de guarda-chuvas, 120 embalagens de ração, 28 tecidos de guarda-sol e 30 calças jeans. Os materiais foram transformados em novos produtos, evitando o descarte e demonstrando como resíduos podem se tornar recursos para atividades produtivas.

A iniciativa ganha relevância diante dos desafios da gestão de resíduos na Capital. Segundo dados divulgados pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), cerca de 40% dos resíduos encaminhados ao aterro sanitário de Porto Alegre possuem potencial reciclável. Embora nem todos esses materiais sejam adequados à reutilização artesanal, o dado evidencia a importância de iniciativas que incentivem a redução do descarte e o prolongamento da vida útil dos produtos.

Uma das idealizadoras da capacitação, Natália Soares, da Associação Instituto ECOA, explica que a escolha por materiais reaproveitados também teve um objetivo econômico: permitir que as mulheres possam dar continuidade à atividade sem depender da compra de matéria-prima. “Quando acaba um curso, as mulheres normalmente não têm dinheiro para comprar matéria-prima para dar continuidade ao trabalho. Com o material reaproveitado, elas não precisam ter esse custo”, explica.

Durante as oficinas, as participantes também foram incentivadas a pensar na qualidade das peças, nos acabamentos e na valorização da própria mão de obra. As atividades abordaram princípios da economia solidária, associando o trabalho artesanal à responsabilidade ambiental e à valorização das pessoas.

A possibilidade de conquistar uma fonte própria de renda também está relacionada ao fortalecimento da independência feminina. Em situações de relacionamentos abusivos, por exemplo, a dependência financeira pode representar uma barreira para o rompimento do vínculo. Ao incentivar o desenvolvimento de habilidades produtivas, o projeto busca ampliar as possibilidades de autonomia e oferecer ferramentas para que as participantes construam novas perspectivas de vida.

Acolhimento e transformação pessoal
Para a moradora da comunidade do Lami, Rejane Santos Aguiar, a experiência representou muito mais do que a oportunidade de aprender uma atividade. Em tratamento para depressão, ela conta que encontrou nas aulas um incentivo para retomar o convívio social e recuperar a motivação. “Para mim foi um divisor de águas. Eu já costurava um pouco, mas estava tão para baixo, desmotivada, tão no meu mundinho, em cima de uma cama. Eu não tinha ânimo, nem vontade de nada. E eu resolvi fazer o curso”, relata.

O acolhimento das colegas e a convivência durante os encontros foram fundamentais para que Rejane voltasse a se sentir motivada. “Só de interagir com as mulheres, as conversas, focar na costura já mudou tudo. Para mim esse curso foi muito importante. O carinho delas ali incentivando, tudo isso é muito importante para a gente. Para a autoestima, saúde mental, renda. Porque a renda também tem um impacto positivo na gente”, afirma.

Além do aprendizado técnico, a capacitação proporcionou um espaço de troca de experiências e fortalecimento dos vínculos entre as participantes. A iniciativa também buscou estimular uma nova percepção sobre materiais descartados, mostrando que o cuidado com o meio ambiente pode caminhar junto com a inclusão produtiva e o fortalecimento da autonomia feminina.

O projeto foi viabilizado por meio de uma emenda parlamentar destinada pelo vereador Giovani Culau, com foco na capacitação de mulheres e na promoção da educação ambiental. Com a entrega dos certificados, as 28 participantes encerraram uma etapa de formação que reuniu conhecimentos de costura, sustentabilidade e economia solidária, abrindo possibilidades para o desenvolvimento de atividades artesanais e a geração de renda.

Fonte: Buda Cpmunicação
Crédito das fotos: Buda Comunicação/divulgação

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