Exposição fotográfica mostra humanidade de diferentes continentes em Porto Alegre
Em 1976, o fotógrafo gaúcho Tonico Alvares (72) subiu em um barco de carga no porto de Santos, atravessou o Atlântico por mais de duas semanas e desembarcou em Valência, na Espanha. Ele não imaginava, mas ficaria longe do Brasil por mais de cinco anos. Era um jovem adulto na época: tinha 22 anos e poucas certezas em mente. A viagem pelo oceano não foi registrada em imagem, apenas nas histórias que viveu ao lado de um padre italiano e um comandante que foram seus companheiros nessa jornada.
Porém, ao desembarcar na Europa, não demorou muito para que adquirisse sua câmera fotográfica Nikon FE, lentes que registraram, em preto e branco e cor, uma longa jornada por diferentes países e continentes, como Inglaterra, Suécia, Índia e Afeganistão. Autodidata, ele olhou para a humanidade de pessoas desses lugares, em um mundo já muito diferente do que se conhece, do final dos anos 70 – um outro tempo.
Uma curadoria desse extenso arquivo de viagens está aberta ao público no Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéu, 10) na exposição Educação Formal, montada pela arquiteta e curadora Laura Krebs. A visitação é gratuita e acontece de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
“A observação me ensinou muito“, conta Tonico. Com ênfase nos encontros e nas relações, ao mesmo tempo fugazes e profundas, a exposição apresenta um panorama de décadas da produção de Alvares, reunindo diferentes temas.
O fotógrafo e fotojornalista, nascido em Minas de Leão, e com uma carreira dedicada ao fotojornalismo local e nacional, apresenta uma perspectiva de mundo em que é possível parar diante de um olhar e desfrutar da mirada do outro.


Através das roupas, paisagens, edificações, posturas corporais e das próprias dinâmicas de poder expressas nas fotografias, o público pode conhecer uma perspectiva sensível, feita a partir de aproximações respeitosas e interessadas pelo encontro. “A minha grande escola realmente foi a observação dos povos, das culturas por cada povo e por cada pessoa.”
Segundo ele, a fotografia é uma prática que lhe ensinou a adentrar cuidadosamente lugares aos quais chegava pela primeira vez. “Fotografar me ensinou o respeito ao ser humano“, diz ele.
Uma das salas da mostra é dedicada, justamente, aos retratos, onde todas as fotografias olham diretamente para o espectador. “Eu sempre tentei buscar a beleza. A fotografia pode até não ser bela, mas tem que ser sincera. Tem que ter emoção e sinceridade”, afirma ele, cujo arquivo fotográfico, entre digital e analógico, chega a mais de 100 mil imagens.
A costura de décadas
Ao longo da vida, Tonico realizou mais de 25 exposições nacionais e internacionais, mas existia uma parte desse arquivo que nunca havia sido olhada de forma conjunta. Nos últimos anos, Laura, que é também sua filha, começou o processo de organização e curadoria do material. Foi então que a exposição começou a tomar forma.
Embora tenha convivido com as fotografias do pai desde criança, foi o trabalho de curadoria que possibilitou a montagem, a costura de décadas de memórias. Uma parcela das fotografias foi ampliada depois que Laura reuniu os arquivos de Tonico. Assim, ela cria uma narrativa profunda que põe lado a lado imagens antes vistas de forma mais isolada.
A curadora conta que o interesse da exposição é olhar para as pequenas histórias, mais ordinárias do que extraordinárias. “A seleção parte do encantamento e da ideia de olhar para o mundo sempre com espanto e abertura. Ela trata de um mundo que é, ao mesmo tempo, promessa e memória“, reflete Laura.
Em Educação Formal, o público pode peregrinar junto ao fotógrafo, seja pelo universo de fora, seja pelo universo de dentro, mais íntimo, de encontros e amores.

Ele registrou rainhas no interior da Índia, o deserto do Afeganistão, a experiência de ser modelo-vivo na Suécia, uma praça de contadores de histórias em Marrocos e o público na espera de um show de Bob Marley.
Na curadoria, essas imagens convivem com outras do Brasil, em praias de Santa Catarina, onde os encontros se evidenciam. Em um conjunto de mais de 150 fotografias, a mostra convida a uma aproximação ao diferente, que é ao mesmo tempo distante e familiar.
SERVIÇO
O que: Educação Formal, exposição de Tonico Alvares, com montagem de Laura Krebs
Onde: Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico, Porto Alegre)
Horário de Visitação: De Segunda a Sexta-Feira | Das 9h às 17h
Entrada Gratuita até 24.7
Fonte: Anna Ortega – Assessoria de Imprensa
Autodidata, o fotógrafo mostra o poder de encontro e aproximação através de um conjunto de mais de 150 fotografias. Foto: Elson Sempe/Divulgação
