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Idealizado a partir de estudos sobre o ciclo de violência feminina, espetáculo Labirinto Feminino condena agressão sofrida pela apresentadora Ana Hickmann

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Crédito: Karen Malagoli - Labirinto Feminino - Divulgação

Com a missão de ensinar ao público como identificar as diferentes fases do ciclo de violência contra mulheres cis e trans, os espetáculos Labirinto Feminino e Labirinto Imersivo, escritos e dirigidos por Gabriela Gama, estão sendo apresentados na programação do 31º Festival MIX Brasil, que acontece online e de modo presencial em vários espaços de São Paulo até o próximo domingo, 19 de novembro.

Na montagem teatral presencial, Labirinto Feminino será apresentado no Teatro Sérgio Cardoso (na Sala Paschoal Carlos Magno) nos dias 17 e 18 de novembro, às 19h. Já o espetáculo em realidade virtual (VR) Labirinto Imersivo pode ser conferido no MIS – Museu da Imagem e do Som, até 19 de novembro. Os dois trabalhos trazem no elenco Wallie Ruy, Gabriela Gama e Shirtes Filho.

Os espetáculos surgiram de uma investigação que o grupo deu início em 2018 sobre a Síndrome de Estocolmo e as violências contra as mulheres. O assunto, infelizmente, permanece atual, como comprova o caso da apresentadora Ana Hickmann, que denunciou o marido Alexandre Correa no último sábado, 11, por lesão corporal. Segundo o boletim de ocorrência registrado na Delegacia Central de Itu, no interior de São Paulo, onde o casal mora, Correa teria fechado repentinamente uma porta de correr em cima do braço esquerdo da mulher, que tentava escapar das suas agressões. Antes, segundo o boletim de ocorrência, ele teria pressionado Ana Hickmann contra a parede e ameaçado dar cabeçadas na esposa. O espetáculo Labirinto Feminino publicou nas mídias sociais uma nota de repúdio no domingo passado, 12, condenando a violência sofrida pela apresentadora. 

Infelizmente, casos assim só vêm à tona quando se trata de uma mulher famosa, ou quando chega a graves consequências. Todo o nosso repúdio e solidariedade não só a Ana Hickmann, mas a todas as mulheres que estão nessa situação. A ‘Labirinto Feminino’ se propõe, exatamente, a abrir essa reflexão e diálogo. Não podemos mais naturalizar essas violências”, afirmou em nota. 

Crédito: Karen Malagoli – Labirinto Feminino – Divulgação

A pesquisa que embasa o espetáculo resultou em uma performance chamada Núpcias, história de uma noiva que se prepara para o seu casamento enquanto vai contando as histórias de abuso que sofre por parte do noivo, mas que ainda está feliz por realizar o sonho de casar. “Fiquei impactada como essa história apresentada em looping fazia o público interagir e se indignar com a narrativa. A partir daí intensifiquei a pesquisa sobre o ciclo da violência, assim como a linguagem performática, principalmente durante a pandemia, já que os números de agressões e feminicídios aumentaram no período. Então, surgiu o Labirinto Feminino em forma virtual em uma residência pela Lei Aldir Blanc. Compilei uma série de performances sinestésicas demonstrando como a violência perpassa por esse ciclo”, conta a diretora e autora Gabriela Gama.

A peça Labirinto Feminino narra a história de duas mulheres, uma trans e outra cis, que estão prestes a casar com seus respectivos “príncipes”. Porém, o que aparenta ser uma relação amorosa e feliz esconde uma realidade bem diferente. Por meio de performances e monólogos intensos, a peça explora o ciclo da violência doméstica e como essas situações de abuso se apresentam de diversas formas. Já o espetáculo imersivo em VR Labirinto Imersivo apresenta a história dessas mesmas mulheres após o ‘Felizes Para Sempre’. Através de performances, o espetáculo explora o ponto de vista da parcela omissa da sociedade em relação ao ciclo de violência feminina.

O texto é composto por performances que foram criadas a partir de cada estação desse ciclo da violência. Contamos essa história desde a mitologia, contos de fadas até os dias de hoje. Tudo foi pensado não só para ajudar a contar essa história, como a passar pelas estações do ciclo. A cenografia é minimalista, com um palco vazio que representa um espaço neutro e com elementos simbólicos que vai criando uma alusão de como vai ficando o psicológico de uma vítima de violência”, revela Gama. “A iluminação cria atmosferas diferentes ao longo da peça e ajudar de forma simbólica a destacar a transformação das personagens. Em contraste com esses momentos de violência, momentos de esperança e empoderamento são também destacados na iluminação“, acrescenta a diretora.

A encenadora ainda conta que o espetáculo é uma resposta ao aumento absurdo de casos de feminicídio no Brasil. “Só no primeiro semestre de 2023, houve um aumento de 34% em São Paulo, assim como agressões, ameaças e medidas protetivas. São números de grande expressividade para serem ignorados. Por que querem nos matar? O que podemos fazer para mudar esse cenário? A peça foi pensada como forma de expor essa calamidade e de alerta, assim como uma tentativa de prevenção. Talvez, se conseguirmos reconhecer esses ciclos, seja uma das formas de libertar toda uma próxima geração dessa pandemia silenciosa”, explica.

FICHA TÉCNICA
Direção Geral: Gabriela Gama
Assistente de direção: Júlio Oliveira
Atores: Wallie Ruy, Gabriela Gama e Shirtes Filho
Iluminação e operação: Diego Chimenes
Sonoplastia e operação: Daniel Freire
Direção de Câmera VR: Yuri Reuter
Direção de Fotografia: Júlio Oliveira
Operação de Câmera VR: Tuca Moraes e Igor Ventura
Design VR: Jorge Groove
Design Gráfico: Shirtes Filho
Fotos: Karen Malagoli
Produção Executiva: Gabriela Gama
Executivo Comercial: Osvaldo Ortega
Produção e Idealização: Faga’s Produções

Serviço – Labirinto Feminino (Peça)
31ª Edição Festival Mix Brasil – Dramáticas 
Apresentações: 17 e 18 de novembro, às 19h
Teatro Sérgio Cardoso (Sala Paschoal Carlos Magno) – Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista
Ingressos: Grátis
Classificação: 16 anos
Duração: 75 minutos
Possui acessibilidade

Labirinto Imersivo (Realidade Virtual)
31ª Edição Festival Mix Brasil – MIX.XR
Apresentações: 9 a 19 de novembro
Terça a sexta: 13h às 19h
Sábado: 13h às 20h
Domingo e feriado: 12h às 18h
Museu da Imagem e do Som (MIS) – Avenida Europa, 158, Jardim Europa
Ingressos: Grátis
Classificação: 16 anos
Duração: 75 minutos
Possui acessibilidade
Instagram: @femininolabirinto

Fonte: Higor Gonçalves/Relações Públicas

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