De Coruja a Verissimo, 16 escritores ganham homenagem nos 165 anos da CAIXA durante a 72ª Feira do Livro de Porto Alegre

O primeiro cliente da CAIXA foi um escritor gaúcho. Em 1861, Antônio Álvares Pereira Coruja, reconhecido como o mais antigo cronista de Porto Alegre, tornou-se também o primeiro depositante da instituição, criada em 12 de janeiro daquele ano. Sua história inaugura uma relação que atravessa gerações da literatura brasileira e agora será celebrada pelo projeto CAIXA de Escritores, durante a 72ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Com patrocínio da CAIXA, o projeto reúne informações diversas sobre 16 autores que ou foram clientes da instituição, escreveram sobre ela ou mantiveram outros vínculos com sua trajetória ao longo de 16 décadas. De Coruja a Machado de Assis e de Lima Barreto a Luis Fernando Verissimo, são escritores de diferentes épocas, estilos e visões de país, aproximados pela presença da CAIXA em suas vidas ou em suas obras.

Além de Coruja, a seleção contempla Machado de Assis, Lima Barreto, Coelho Neto, Benjamin Costallat, Rubem Braga, Helena Ferraz, Augusto Frederico Schmidt, Inglês de Sousa e Austregésilo de Athayde, Carlos Heitor Cony, Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade e Luis Fernando Verissimo.

Entre documentos, textos literários e episódios da vida dos autores, o projeto investiga como a CAIXA aparece em suas trajetórias e nas histórias que contaram sobre o Brasil.

Durante a Feira do Livro, esse conteúdo sairá das páginas para ocupar diferentes espaços do Centro Histórico de Porto Alegre. Com curadoria de André Severo e Andrea Pires, o projeto investiga as aparições da CAIXA na literatura brasileira no território entre documento e ficção, memória e cotidiano.

Ao aproximar literatura, economia e vida ordinária, a proposta faz emergir uma história lateral do país. Poupanças, juros, empréstimos, penhores, financiamentos e loterias não aparecem apenas como operações financeiras, mas como formas de lidar com o tempo, as urgências, os desejos e as expectativas. Onde o registro institucional identifica um número ou uma operação, os escritores encontram personagens, conflitos e estratégias de sobrevivência.

Circuito ocupa espaços do Centro Histórico
O Circuito CAIXA de Escritores será realizado no entorno da Praça da Alfândega e reunirá diferentes experiências. A programação terá painéis no tapume do Cine Imperial, o módulo CAIXA na Praça na passarela de acesso ao Edifício Central da CAIXA (com entrada pela rua Sete de Setembro, 1001), a exposição principal na Galeria Xico Stockinger, da Casa de Cultura Mario Quintana, e uma mostra de filmes na Cinemateca Paulo Amorim, também na Casa de Cultura Mario Quintana, além de uma série de diálogos com escritores da atualidade sobre esses ícones do passado.

Antônio Álvares Pereira Coruja

A galeria de acesso ao Edifício Central da CAIXA junto à rua Sete de Setembro, na praça da Alfândega, será o ponto de partida de 60 sessões de visitas mediadas gratuitas. Ao longo do trajeto, as narrativas conduzirão o público por lugares como a Praça da Alfândega, o Cine Imperial, a Rua da Praia e o antigo Hotel Majestic, atual Casa de Cultura Mario Quintana.

Na exposição principal, na Galeria Xico Stockinger, da CCMQ, estruturas concebidas como CAIXAS abertas apresentarão os universos dos escritores por meio de fragmentos literários, biografias, objetos, elementos simbólicos e recursos audiovisuais. Cada estrutura funcionará como um microcosmo dedicado a um autor. Reunidas, elas formarão uma constelação de diferentes maneiras pelas quais a CAIXA atravessou a literatura e a vida brasileira. 

A Galeria Xico Stockinger também terá uma arena destinada a debates relacionados à exposição. O espaço, instalado dentro da própria galeria e com capacidade para 64 pessoas, ampliará a experiência da visita e permitirá encontros sobre literatura, memória, história urbana, inteligência artificial e os vínculos entre os autores e a CAIXA. Neste bloco da programação do projeto, a mesa que reúne Eduardo Bueno e Vítor Ramil, com canja do músico, ocorrerá no dia 13 de novembro, no Teatro Bancários RS.

Além destes nomes, jjá estão confirmados na programação Martha Medeiros, Paula Taitelbaum, Leticia Wierzchowski, Pedro e Fernanda Verissimo, Heloisa Pires Lima, Eliane Marques, Chico Botelho, Luís Augusto Fischer e Katia Suman.

Já o módulo CAIXA na Praça, instalado na passarela do Edifício Central, será dedicado à relação entre o prédio da instituição e o fluxo cotidiano de quem passa pela região. Simões Lopes Neto, ícone da literatura rio-grandense, será o grande “anfitrião” do espaço.

Nos tapumes do Cine Imperial, a presença dos 16 escritores ganhará escala pública, transformando uma estrutura provisória da cidade em superfície literária. 

Reedição de “Antigualhas” recupera as memórias de Coruja
A programação também prevê o lançamento da 3ª reedição do livro “Antigualhas: reminiscências de Porto Alegre”, obra que reúne as memórias do cronista e professor Antônio Álvares Pereira Coruja, que viveu entre 1806 e 1889.

No livro, encontram-se referências significativas à sua vida de estudante na capital. Coruja se revela um observador afetuoso, mas também crítico da vida porto-alegrense, entrecruzando o cotidiano da cidade com suas recordações da escola e do ensino na primeira metade do século XIX.

A reedição – que contará com apresentação de Eduardo Bueno, Introdução de Luís Augusto Fischer e Prefácio e Notas de Sérgio da Costa Franco – reforça o lugar do autor como ponto de partida do projeto. Primeiro cliente da CAIXA e pioneiro da crônica em Porto Alegre, Coruja inaugura simbolicamente o percurso que aproxima os 165 anos da instituição das diferentes gerações da literatura brasileira.

Mostra recupera a primeira e a última sessão do Cine Imperial
Na Cinemateca Paulo Amorim, uma mostra de cinema recuperará a memória do extinto Cine Imperial por meio de dois filmes relacionados à história da sala. O edifício, que integra o percurso de CAIXA de Escritores, também se prepara para um novo capítulo: o Cine Imperial será sede da nova CAIXA Cultural em Porto Alegre, prevista para 2028.

Inaugurado em 18 de abril de 1931, na Rua dos Andradas, em frente à Praça da Alfândega, o velho cinema abriu suas portas com a exibição de “Romance”, produção da Metro-Goldwyn-Mayer, estrelado por Greta Garbo. Com 1.632 lugares, a sala representou um marco de luxo e modernidade para a exibição de filmes sonoros na capital gaúcha.

Romance será reapresentado nos dias 17 e 18 de novembro, em sessões às 15h e às 19h. Após a última sessão, ocorre um debate sobre as transformações tecnológicas no universo audiovisual com participação de Eduardo Bueno e Ticiano Osório.

O segundo título escolhido recupera o encerramento das atividades do Imperial. A última sessão da sala, realizada em 4 de agosto de 2005, exibiu “Guerra dos Mundos”, dirigido por Steven Spielberg. Para estabelecer um diálogo entre literatura, cinema e memória, a curadoria programou “A Guerra dos Mundos”, de 1953, primeira adaptação cinematográfica do romance homônimo de H. G. Wells.

Entre o primeiro filme projetado em 1931, o encerramento da sala em 2005 e sua futura transformação em sede da CAIXA, o projeto recompõe diferentes momentos da vida cultural de Porto Alegre. A programação recupera a importância histórica do Cine Imperial e antecipa a retomada do edifício como espaço dedicado à cultura.

Ao reunir exposição, literatura, arquitetura, cinema e memória urbana, CAIXA de Escritores convida o público a conhecer os 16 autores homenageados e a descobrir o vínculo singular de cada um deles com a CAIXA e com a história social do Brasil.

Ação educativa
Entre 17 e 26 de novembro, o projeto será complementado com um ciclo de sessões educativas de artes visuais para crianças e jovens entre 8 e 14 anos, organizado em parceria com o Centro de Desenvolvimento da Expressão (CDE) e o Educativo MACRS. A proposta aproxima literatura, memória urbana, patrimônio cultural e produção artística a partir da obra Antigualhas: reminiscências de Porto Alegre.

Serviço | Circuito CAIXA de Escritores
Quando: durante a 72ª Feira do Livro de Porto Alegre — de 30 de outubro a 15 de novembro de 2026 – lançamento oficial dia 29 de outubro 
Ponto de partida: estande institucional da CAIXA na Feira do Livro
Visitas mediadas: 60 sessões — 10h, 12h, 15h e 17h30 (link para inscrição na bio das redes sociais do projeto)
Espaços do circuito: tapume do Cine Imperial; passarela do Edifício Central da CAIXA; Galeria Xico Stockinger e Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana


Lançamento de “Antigualhas”: dia 31 de outubro, na Galeria Xico Stockinger, da Casa de Cultura Mario Quintana

Mostra de cinema e debate: dias 17 e 18 de novembro, 15h e 19h.
Acesso: gratuito, na bilheteria da Cinemateca Paulo Amorim

Ficha Técnica | CAIXA de Escritores
Patrocínio: CAIXA
Criação e concepção: Eduardo Bueno – Buenas Ideias
Coordenação geral: Fernando Bueno
Produção e gestão cultural: Vitor Ortiz – Voz Cultural
Curadoria: André Severo e Andrea Pires
Textos: Eduardo Bueno e Lúcia Brito
Projeto expositivo: Edu Saorim
Design gráfico: Sandro Fetter
Fotografia: Fernando Bueno e Luiz Paulo de Araújo
Circuito de visitação: M.A. Eventos
Comunicação: Kreativ 

Fonte: Tati Feldens 
Machado de Assis – Crédito: Edu Saorin Urbanauta

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